A Toxina Botulínica foi uma das grandes aquisições em Medicina Estética no fim deste século. Ela está para a Medicina Estética atual como a penicilina para a Clínica Médica na época em foi descoberta. Por isso, a mídia transformou-a, quando bem indicada, num verdadeiro "milagre". No entanto, para que ela continue sendo esse milagre, deve ser muito bem indicada, os pacientes devem conhecer o seu potencial de melhora e suas limitações.
A técnica deve ser correta, caso contrário, deixará estigmas que a toda hora vemos em pessoas na rua ou televisão, como assimetria labial, sobrancelha arqueada demais(Testa Diabólica), desabamento de toda a região frontal(Sinal do Frankstein), rugas nasais (Sinal do coelhinho). É muito eficaz em rugas dinâmicas por hiperatividade dos músculos mímicos em pacientes jovens ou naqueles sem flacidez de pele.
Em rugas dinâmicas muito profundas o resultado é menor e não atua em rugas de envelhecimento intrínseco e do sol. É contra-indicada em rugas passivas(aquelas que existem mesmo quando a pessoa está séria), pois pode acentuar temporariamente a flacidez da região e a insatisfação destes pacientes atrapalharará a imagem da eficácia em outros pacientes nas quais seria ótimamente indicada.
É um medicamento fantástico pela facilidade, por ser relativamente indolor e pelos resultados rápidos. É animador para os pacientes poderem se manter na ativa imediatamente após a aplicação, principalmente nos dias de hoje de tanto trabalho e poucas folgas.
O profissional que conheça em profundidade a anatomia da face, consegue melhorar paralisias faciais congênitas ou adquiridas , o que antes era um estigma dificílimo de tratar.
O futuro da toxina botulínica é muito grande, e o seu uso é limitado principalmente por nossa imaginação. A cada dia aparecem novas indicações do bom uso da toxina botulínica. Pesquisa-se hoje o uso de doses eficazes mínimas necessárias para o resultado estético final ficar cada vez mais natural.
As expectativas dos pacientes são principalmente com relação à ausência de resultados por presença de anticorpos, resultado final indesejado, aumento posterior da flacidez do local, paralisia excessiva , deixando-os com expressão muito congelada e sobre a duração dos resultados.
A resistência à toxina botulínica pode ocorrer, porém é rara. Essa resistência é devida a repetidas aplicações com doses relativamente altas, por isso devemos usar doses menores que 100 Unidades por vez, e deve-se evitar fazer muitos retoques.
Quando assim mesmo o paciente deixa de responder , mudamos a toxina botulínica ( no momento existem no mercado o Botox, o Dysport e a Toxina Chinesa).
Os pacientes sempre devem ser instruídos quanto a raros, mas possíveis efeitos colaterais. Só o fato de serem temporários, é uma grande segurança para nós que aplicamos e para nossos pacientes. Com a experiência e o uso em grupos musculares conhecidos, feito com perícia e em diluições menores, existem menos riscos destes efeitos ocorrerem.
A Ptose palpebral(queda da sobrancelha) angustia muito, mas felizmente dura pouco. Ocorre geralmente quando a aplicação é feita muito próximo à sobrancelha e há difusão da toxina na parte palpebral do orbicular e elevador da pálpebra superior. Evita-se a face muito congelada, totalmente sem expressão, usando-se doses adequadas e em músculos indicados.
A incontinência de saliva ocorre quando se injeta grandes doses da toxina simultaneamente nos lábios superiores e inferiores. A assimetria frontal ou labial é fácilmente corrigida injetando-se mais toxina no lado em que houve menor paralisia de grupos musculares.
Medo de Flacidez pós Toxina Botulínica Como novas terminações nervosas começam a ser formadas após 4 semanas, não existe o risco de flacidez. O que vemos na realidade é que, quando aplicamos a toxina em pacientes com muita flacidez, esta pode ser realçada, como a acentuação da bolsa ou olheiras nas pálpebras inferiores de pacientes que já tinham muita flacidez periorbital, antes mesmo de terem sido tratadas com toxina botulínica.
O bloqueio da toxina produz atrofia das fibras musculares durante 4 semanas pós injeção. Depois de 1 mês inicia-se a reativação muscular com formação de novas placas neuromotoras e o paciente voltará a apresentar algumas rugas ativas. É muito comum os pacientes voltarem várias vezes querendo mais retoques, por isso, devemos informá-los que, no primeiro mês,realmente não movimentará a área que foi tratada, mas, após 1 mês, começará a haver algum movimento, o que é normal e esperado. A duração do efeito paralisante da toxina varia para cada paciente, entre 4 a 6 meses.